sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Chove

Dia chuvoso é dia de imaginação solta pelos cantos da casa. Aviõezinhos de papel, sapinhos, girafinhas e borboletas em origâmis mal feitos. É dia de musica negra do Alabama, de Toquinho, talvez Cazuza. É dia de devaneio; é dia de esperança, esperança de a chuva passar, do sol aparecer e da pipa voar.
Dia de chuva é dia de brincar com os primos; de quebrar a tigela da avó; de roubar as revistas do tio; é dia de ouvir histórias - contar mentiras, inventar causos e anedotas - , ler livros de contos que já foram rabiscados quando éramos menores. Dia chuvoso é dia de assistir filmes antigos e de ver fotos da infância, de cair na cama e dormir.
São dias nostálgicos; dias patéticos; dias socialistas. Dias em que os sentimentos afloram (são dias de amor), de paixão, de saudade, é dia de dormir à tarde, de dormir agarradinho; é dia feliz; é dia cinza.
É dia de escrever ensaios sobre a vida.

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