quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Foto: Nuno Manuel Baptista


O velhinho não sabia mais o que fazer.
Seus dias estavam contados.
Pouco ligava pra isso, pois a muito sua criatividade havia sucumbido diante as tensões do dia a dia.
Agora em sua varanda, sentindo o vento no rosto, aguardava tranqüilamente sua morte.
Tardava a chegar.
Mas ele era paciente, o nascer e o por do sol eram dedicados a sua chegada, mas ela tardava.

Imagina ele:
Talvez chegaria, com um surrado manto negro contrastando com os dedos brancos e cadavéricos.
Quem sabe com um belo vestido claro e uma rosa na mão, e assim a morte o beijaria e ele tranquilamente dormiria em seus braços.

Agora o velhinho sabia o que fazer, queria aguardar a morte e fazer-lhe companhia nos dias cinzentos e nos dias ensolarados.
Aceitou a morte.
E aceitou cedo
O velhinho não era tão idoso, o velhinho era você.