segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Casa-Grande & Senzala em Hq



Escrevi em outro post um pouco sobre livro de Franklin Távora em quadrinhos e, antes que alguns pensem que essa idéia é totalmente nova, vale salientar que o livro Casa-Grande & Senzala de Gilberto Freyre, ainda na década de oitenta recebeu uma versão em Hq. O desenhista era Ivan Wasth, que morreu em dezembro de 2007.
Acima alguns desenhos.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Chove

Dia chuvoso é dia de imaginação solta pelos cantos da casa. Aviõezinhos de papel, sapinhos, girafinhas e borboletas em origâmis mal feitos. É dia de musica negra do Alabama, de Toquinho, talvez Cazuza. É dia de devaneio; é dia de esperança, esperança de a chuva passar, do sol aparecer e da pipa voar.
Dia de chuva é dia de brincar com os primos; de quebrar a tigela da avó; de roubar as revistas do tio; é dia de ouvir histórias - contar mentiras, inventar causos e anedotas - , ler livros de contos que já foram rabiscados quando éramos menores. Dia chuvoso é dia de assistir filmes antigos e de ver fotos da infância, de cair na cama e dormir.
São dias nostálgicos; dias patéticos; dias socialistas. Dias em que os sentimentos afloram (são dias de amor), de paixão, de saudade, é dia de dormir à tarde, de dormir agarradinho; é dia feliz; é dia cinza.
É dia de escrever ensaios sobre a vida.

O Cabeleira em Hq



O livro "O Cabeleira" de Franklin Távora ganhou versão em Hq, o desenhista é Allan Alex.

Cadernos Afetivos

Achei interessante a idéia da blogueira, alías meu irmão tinha uma idéia parecida, só que a arte seria em camisetas.
Dêem uma olhada no blog dela.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Sinos

Há poucos dias atrás li uma crônica do Eduardo Galeano; a crônica era sobre sua personagem Juana e intitulada “Juana aos Dezesseis”, lembro que a crônica falava de certo sino conhecido por seus tantos toques diferenciados quando do manuseio certo do sineiro; era um famoso sino, porém ocorreu que certa vez o sino tocou alegremente madrugada adentro numa composição de sons que ninguém conhecia e todo o povo acordou para ver o que estava ocorrendo. Logo o padre foi ver o que estava acontecendo e quem estava tocando o sino assim loucamente, por fim descobriu que o sino tocava por conta própria, no mesmo instante convocou o Santo Ofício e este por sua vez declarou o sino sem valor; o calou, mandando-o para o exílio no México.

Esse pequeno trecho da crônica do Eduardo Galeano remeteu-me a consideração (certamente onde o autor queria chegar) em que supõe que todos sejamos sinos manipulados pelo sineiro (sistema, elite, burguesia dominante, mídia etc.), ou seja, literalmente dançamos, mas não tocamos a música, e quando isso acaba de modo diferente, acabamos tocando por nós mesmos. Quando deixamos de ser manipulados por mãos e mentes alheias passamos a ser inconcebíveis com o sistema vigente e assim somos convidados a nos retirarmos, da mesma maneira que o sino foi mandado para longe ou, como nos tempos da Ditadura Militar, exilados. Hoje, porém, normalmente somos apenas isolados, postos de lado.

A crônica pode ser bem contextualizada ao nosso cotidiano, pois ainda somos como sinos, manipulados por alguém e quando alcançamos as poucas chances existentes de tocarmos por conta própria, somos imprudentemente levantados como rebeldes de um sistema que para muitos está maravilhoso. Pra finalizar deixo uma frase que conheci há algum tempo atrás, que também pertence ao Eduardo Galeano:
“A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar”.

Postado por Rafael J. R. Silva


Rolando a Pelota

Li uma crônica do Armando Nogueira escrita na década de 60 e pude perceber quanto o futebol mudou. Como muitos, ando altamente desanimado com nossa seleção (até queria que ela fosse representar a Argentina nos próximos jogos). Mas, como ia falando de seleção, Armando Nogueira indubitavelmente teria de falar de Pelé, e nessa parte abro um parêntese para falar das recentes contratações trilionárias que ocorrem hoje por parte de clubes europeus atrás de nossos pupilos jogadores em busca de dinheiro, mulher e Ferrari. Bem essas contratações cheias de zero faz com que nossos jogadores representem bem seus clubes no exterior, porém são verdadeiras porcarias jogando na seleção brasileira; deixam claro com isso que a seleção não representa algo financeiramente importante a eles, o peso da camisa já não existe mais e o que mais pesa no momento é o símbolo da Nike. Provavelmente acabou o tempo do amor à camisa, do amor à seleção, o que resta é o amor ao dinheiro e um bom patrocínio. Muitos estão se perguntando onde ficou a crônica do Armando Nogueira que citei acima, bem é que me sinto realmente muito indignado com o que vem acontecendo com a joça de futebol do Ronaldo gaúcho, do Ronalducho e daquele Robinho e, quando li essa crônica, o Armando Nogueira falava sobre Pelé no museu de som e imagem no Rio na década de 60. Pelé deu uma entrevista e falou muito sobre futebol (Armando Nogueira lembra que Pelé e futebol são sinônimos). Pelé contou sobre os convites para jogar fora, pelas tentativas da Espanha e da Itália em levá-lo por quantias suntuosas, no que ele respondendo que não joga por necessidade material e por isso não aceitou os convites, apenas respondeu a gravação do Museu do Som e Imagem que preferia jogar no Brasil por que: “Aqui estão os meus amigos, aqui está minha família, esta é a minha pátria, onde nasci e espero morrer”.
Postado por Rafael J.R Silva